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Um projeto para as Fronteiras
 

01-03-2005. http://www.ipol.org.br/ler.php?cod=263 Reflexiones de la profesora Eliana Rosa STURZA, sobre el acuerdo de creación de las Escuelas Bilingües de Frontera, firmado por los Ministros de Educación de Argentina y de Brasil, recientemente.

Recentemente, os ministros de Educação do Brasil e da Argentina firmaram um acordo bilateral para desenvolver, em conjunto, um projeto de criação de Escolas Bilíngües de Fronteira. Esse projeto será implementado, inicialmente, nas chamadas escolas-espelho, localizadas nas cidades-gêmeas de Uruguaiana – Paso de los Libres e Dionísio Cerqueira e Bernardo de Irygoyen.

O objetivo desse projeto é iniciar a transformação dessas escolas em Escolas Bilíngües, nas quais as crianças aprenderão simultaneamente nas duas línguas, português e espanhol. O ensino bilíngüe começará, nesta primeira etapa, na 1ª série do ensino fundamental, sendo, posteriormente, implantado em todas as suas séries.  

A realização desse projeto, com o aval das autoridades educacionais de ambos países, tem como perspectiva uma mudança no modo de olhar a realidade das comunidades em zonas de fronteira, em que o contato cotidiano com a língua do vizinho é parte da formação de sua própria identidade como fronteiriço. O contato lingüístico que se produz nessas zonas fronteiriças expõe os falantes uns a língua dos outros e ele ocorre por diversas razões, desde as mais imediatas, como uma simples troca de informações ou a realização de uma compra até mais duradouras como freqüentar a escola no país vizinho, casar-se com um/a uruguaio/a ou com um/a argentino/a.

A situação geográfica e a existência de comunidades, que se correspondem ao longo do território, fazem com que fronteiras como as do Brasil com os países da bacia do Rio da Prata se caracterizem justamente por fatores como a intensidade das relações sócio-culturais, conseqüentes do fluxo da população, no ir e vir da fronteira. Esses fatores levam a conformação de uma fronteira social, muito mais determinada pela interpenetração dos espaços sociais do que pelo sentido de territorialidade.

Deste modo vão se estabelecendo formas de convivência com as línguas, fazendo com que os falantes adquiram um nível de competência lingüística, no caso das nossas fronteiras, em português ou em espanhol. Ainda que não dominem totalmente esta segunda língua do contato, aquilo que já conhecem responde a uma série de necessidades cotidianas que são estabelecidas por uma dinâmica própria do modo de vida da fronteira. Os fronteiriços estão continuamente aprendendo as línguas nesse modo de vida, que só existe no espaço de encontro, que é a fronteira.

Dadas essas situações de contato, saber usar a língua do outro é antes de tudo uma condição natural do espaço fronteiriço. É um conhecimento construído na língua que se fala do outro lado da ponte ou do outro lado da rua.

Em fronteiras como as que existem entre Bernardo de Irygoyen e Dionísio Cerqueira – Santa Catarina, único porto seco do Mercosul, onde se localiza outro par de escola-espelho que integra o projeto de Escolas Bilíngües de Fronteira, esse cotidiano é certamente mais intensificado pela estreita proximidade das comunidades. Não há pontes dividindo as duas cidades gêmeas. Neste caso, a competência lingüística na segunda língua, seja ela o português, seja ela o espanhol, tende a ser mais regular.

E independente do nível de domínio que os falantes tenham na segunda língua, é certo que ele é muito determinado por condições históricas, econômicas, políticas e sociais. Essas fronteiras foram por um longo período da nossa história marcadas por sua relação com a defesa dos territórios nacionais, com a preservação da soberania dos países, razões que, evidentemente, já não se priorizam em tempos de integração.

Portanto, um modelo de Escola Bilíngüe precisa considerar, acima de tudo, o estatuto de segundas línguas dessas línguas nacionais, pelo lugar onde se tocam e, inclusive, porque também ao se tocarem, se misturam, produzindo variedades lingüísticas como o portunhol.

Percebê-las como segunda língua, é colocá-las no lugar do conhecido, do vivenciado. O português e o Espanhol não são línguas estrangeiras uma em relação à outra, pois compartilham um mesmo espaço fronteiriço, o que as faz pertencer a uma mesma comunidade lingüística, a comunidade lingüística fronteiriça. Além disso, respeitar as variedades é entendê-las como modo de expressão de uma identidade fronteiriça.

 E há mais o que considerar. As chamadas comunidades gêmeas localizadas em diferentes pontos ao longo das nossas fronteiras territoriais, tão distantes dos grandes centros, também são comunidades periféricas. Isto por si só as credencia a um projeto que as reconheça na sua especificidade de serem fronteiriças e as promova a uma importância política através de um projeto educacional inovador, em que a fronteira não signifique apenas uma faixa de território destinada a salva-guardar as nações, mas um espaço de efetiva integração. 

Há que se destacar que este projeto também é inovador na medida em que se dá início a uma política lingüística em relação à situação das línguas em contato nas nossas zonas de fronteira. A criação das Escolas Bilíngües, compreendida como uma ação concreta de política lingüística, abre caminho para uma reflexão sobre o modo como tratamos as questões das línguas nas nossas fronteiras.

O sucesso que se espera, a partir das experiências que se iniciam agora em março, em Uruguaiana e Paso de los Libres e em Bernardo de Irygoyen e Dionísio Cerqueira, não se restringe apenas ao fato de que o projeto proporcionará a aprendizagem nas línguas portuguesa e espanhola, mas também pelo seu alcance social e educacional.

Imaginar que as crianças que freqüentam a escola no Centro de Atendimento à Criança e ao Adolescente – CAIC, de Uruguaiana terão acesso não só aos serviços de saúde, educação infantil, reforço escolar, mas também a uma escola diferenciada, adequada a sua realidade sócio-histórica, leva-nos a acreditar que se esteja de fato fazendo uma educação inclusiva, ao mesmo tempo, inter-cultural e social. Que ela aconteça através da Escola Bilíngüe de Fronteira.

Aparecido en Ipol.org.br, el 01-03-2005. Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Lingüística http://www.ipol.org.br/ler.php?cod=263
 

 

 
 
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