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LITTERA PONTO COM
 

18-09-2002. Comentarios del profesor Sirio Possenti (IEL-UNICAMP) a propósito de un artículo publicado en la revista Época, llamado "O português.com".
Na semana passada, a revista Época (número 255, de 9/9/2002), em reportagem intitulada "O português.com", explicitava preocupações com eventuais prejuízos que a "linguagem" empregada nos chats (salas de bate-papos) e nos blogs (diários postos na Internet) causaria ou à língua portuguesa ou a seus usuários. O tom do texto é dramático: "abreviam palavras ao limite do irreconhecível, traduzem sentimentos por ícones e renunciam às mais elementares regras da gramática". A reportagem não apresenta nenhum dado de natureza gramatical, a não ser que assim considere as invenções ortográficas. Pelo exposto, a reação típica deveria ser de alívio, e não de alarme, porque não há ameaça alguma, seja à língua, seja aos usuários. Além disso, a reportagem cita um lingüista inglês de prestígio (David Crystal), que ri dos medos que esta "linguagem" provoca em não especialistas. Para aumentar o sossego, a sensação de alarme falso, nenhum professor ou educador dentre os mencionados faz qualquer observação pessimista sobre os jovens. O que é verdadeiramente dramático na reportagem são duas coisas: a) pais preocupados porque filhos que não apresentavam problemas na escola começam a apresentá-los; b) psiquiatras dando diagnósticos alarmantes - isto é, chamando atenção para os prejuízos que estas linguagens estariam provocando nos jovens. Há pelo menos dois problemas complicados: por que pais levam seus filhos a psicólogos, psiquiatras e neurologistas quanto apresentam problemas escolares? Na maioria absoluta dos casos (e os estudantes mencionados confirmariam isso), trata-se dos "problemas" decorrentes da chagada da adolescência. Não vou mencionar aqui o que pode acontecer nessa idade, mas vale a pena chamar atenção para um fato: é muito comum que alguém seja bom aluno no fundamental e não o seja no colegial, o mesmo acontecendo na mudança do colegial ou do cursinho para a universidade. Às vezes, a culpa, se é que se pode falar assim, é da escola, como instituição, pelo tipo de tarefa que ela pede e pela qual avalia os estudantes. Convenhamos que é necessário ser meio bobo (ou infantil) para ser bem-sucedido na escola... Em suma: em geral, não há problema médico ou psiquiátrico algum. Pode haver problemas psicológicos, mas estes existem a vida toda e, em geral, os pais são mais problemáticos do que os filhos. Mas o mais preocupante é a outra face da moeda: os diagnósticos dos especialistas. Em tudo o que se lê e vê sobre a tal linguagem simplificada dos jovens nos chats, não há nenhum problema de linguagem. No máximo, há invenção de grafias e mistura de sistemas de escrita (mais precisamente, mistura de letras e símbolos que exploram - criativamente - recursos do teclado do computador). Os fatos de sintaxe e de texto são exatamente os mesmos que se encontram em qualquer outro texto, ou seja, revelam domínio ou falta de domínio de texto, conforme o caso. Apenas isso - o que é trivial e não é necessário nenhum chat para detectar. A reportagem diz que há a suspeita de uma onda de dislexia discursiva: creio que sim, mas por parte dos especialistas. Eles não dizem coisa com coisa. Em geral, eles não têm formação lingüística, nem em gramática, nem em teorias de texto e nem em sistemas de escrita, para arriscarem os diagnósticos que arriscam - em geral baseados em testes fora de contexto, quando não na mais pura ignorância. Além disso, esses especialistas dão chutes sem a menor cerimônia. O neurocientista Cláudio Guimarães dos Santos, por exemplo, resolve achar que os jovens que usam essa linguagem simplificada (mas é mesmo simplificada?) não vão utilizá-la como alternativa ao padrão. Ela acabará tomando o lugar da escrita convencional. Como ele sabe? Com que base afirma isso? Em Nostradamus? E acrescenta uma enorme batatada: "Ninguém escreve um tratado de física com carinhas e usar o código da rede sem dominar o formal gera erros de percepção". Demonstra ignorância absoluta de várias questões: a) em primeiro lugar, o que ninguém faz é escrever papers em física em um só código, digamos, português ou inglês padrão; o "fisiquês" exige o domínio simultâneo de vários "códigos": matemática, computação, figuras, gráficos, símbolos que são freqüentemente abreviaturas e, finalmente, a escrita em uma língua. Ora, isso permitiria, usando de fato o critério, prever que os freqüentadores de chats terão menos problemas com a linguagem da física do que os alunos conservadores, que só escrevem português padrão; b) não basta dominar o formal para não haver erros de compreensão; é preciso dominar o campo. O caso serve para ilustrar a tese: basta ver que nenhum lingüista ou especialista em escrita vê qualquer problema na "linguagem" dos chats. Só os leigos em linguagem. Finalmente: a reportagem inclui alguns dados, mas, como disse, nada de natureza gramatical ou textual. Há uma lista de palavras absolutamente correntes, cujo problema seria a grafia utilizada. Confesso que aqui também encontrei mais motivos de otimismo que de pessimismo. Por exemplo: ao invés de escreverem falou, valeu e beleza, escrevem flw, vlw e blz, o que lembra escritas que não incluem as vogais (parece que a hebraica é assim), além de se darem conta de que o último som em valeu e falou é uma semivogal, e por isso o w e não o u. Outros exemplos são de tipo misto (Kra, Ksa por cara e casa). Outros utilizam recursos correntes na publicidade, como a troca de qu ou q por k (aki por aqui, bem como Ksa e Kra). Escrevem naum ao invés de não, o que é uma ótima solução, embora nawm fosse ainda melhor, porque se trata de uma semivogal, como em falou e valeu. Essa forma de escrita está bem próxima da que os especialistas usam para a transcrição fonética, aliás. Aspectos da reportagem mostram a velha falta de compreensão mínima do que seja uma língua: ela não é a escrita, e, especialmente, ela não é a ortografia. Quando os "especialistas" em cérebro aprenderão essa verdade elementar? No fundo, há um único problema real: os adultos têm dificuldade em compreender esses textos. A mesma dificuldade que têm para entender a gíria que os jovens empregam conversando entre si. Mais uma prova de que não há problema algum e de que eles são bem sucedidos e sabem o que estão fazendo: não é mesmo para os adultos entenderem, e às vezes é exatamente para eles não entenderem que se inventam esses "códigos secretos". Os adultos querem jovens presos a eles, que sejam tão limitados quanto eles, para poderem controlá-los. Querem ler o que seus filhos escrevem? Pois que aprendam a ler. **** PS - Abro um caderno de um jornal, e o primeiro anúncio que leio é: "MAREA WEEK SX - 99, azul, ú d, 38mil km, compl (+) rodas. R$ 21.500. Troco/financio". Vou à última página do mesmo caderno e leio: "Técnico em Informática Contr prof c/ exp inst e conf de placas e periféricos, para prestar suporte telef a nossos clientes para inst a conf de nossos produtos". Não seria necessário comentar, eu acho. Mas preciso dizer que outras formas de escrita estão por todos os lugares. Mas é melhor que nenhum -ista se ponha a analisar esses textos. É capaz de dizer que os jornais estão destruindo a língua. Que, assim, nos impedirão de compreender os editoriais. ------------ Littera, do latim, letra, carta Sírio Possenti é professor de Lingüística no Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp e autor de Os humores da língua e A cor da língua e outras croniquinhas de lingüista (Mercado de Letras – 0xx19 3241-7514) e de Mal comportadas línguas (CRIAR Edições – 0xx41 233-0662) autor: POSSENTI, Sirio fecha: 17/09/2002 fuente: PrimaPagina URL: http://www.primapagina.com.br/pp/colunas/littera/2002/09/0003
 
 
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