A revolução que organiza o caos: o que está por trás das aparências

Leda Lísia Franciosi Portal

Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande Do Sul

Centro de Informática em Educação- IBM/PUCRS

Porto Alegre- RS

 

Meu objetivo com esta reflexão não é, em um primeiro plano, falar sobre a Internet e Educação e sim, colocá-las como pano de fundo e discutir assuntos que neste momento, com relação a elas me afligem e que gostaria de compartilhar com colegas, interessados pelo mesmo tema.

Se levarmos em consideração e refletirmos sobre a evolução da humanidade, constataremos ser pontilhada de extraordinárias e fantásticas realizações, geradas, e aqui está a razão de ser deste artigo, por iniciativas, desafios e conquistas de pessoas. Seres humanos normais, cada um com suas histórias, fraquezas, incertezas, inseguranças, desilusões, alegrias e realizações.

Conquistas e realizações alcançadas em diferentes condições e circunstâncias de vida em momentos contingências de uma existência em que me parecem existir a crença na possibilidade de superação, a persistência do saber sempre mais e a coragem de armazenar reservas para o enfrentamento dos obstáculos, considerados como oportunidades de renascer. Tudo isto impulsiona o criar, o agir, o construir/destruir em constantes e contínuas aprendizagens, encarando frente a frente a realidade de forma autêntica, segura, verdadeira e honesta rumo aos propósitos claros a serem atingidos, delineados pela construção ideativa de futuro como ponto de chegada e energizadores do ponto de partida, de iniciativas às novas soluções empreendedoras, alicerçadas no privilégio da ousadia, espírito empreendedor, flexibilidade, valorização da criatividade e do ineditismo.

A sociedade do futuro, caracterizada pela informação e pelo conhecimento está a exigir mudança da ênfase: se na era industrial o capital financeiro era a base da força competitiva, capital e tecnologia eram fatores de produção; na era do conhecimento, capital e tecnologia são ferramentas de produção e, como tal, podem melhorar ou piorar a força competitiva, dependendo de como estão sendo utilizadas, pelas habilidades e inteligências das pessoas. Há que se agregar valor às organizações a partir do conhecimento e criatividade das pessoas não pela sua força muscular. Número menor de pessoas pensando melhor, auxiliadas por máquinas inteligentes, adicionam mais valor que batalhões de recursos humanos sem cérebro.

O grande desafio das organizações modernas está em permitir que as pessoas pensem, além dos limites de seus cargos, que enxerguem sua potencial participação no contexto maior e que contribuam com os conhecimentos que vão adquirindo no exercício do seu trabalho. Tal fato vem reforçar a importância e necessidade de aprofundar os estudos em psicologia cognitiva que tem como instrumentos não só analisar o sistema de processamento das informações, processos e estruturas cognitivas, com o intuito de analisar suas estratégias, implicando investigar as técnicas que as pessoas utilizam para controlar os diferentes fragmentos de informação que possuem, mas procurar descobrir os procedimentos que utilizam para atingimento de seus objetivos e metas, como meio de promoção e melhoria do bem estar humano.

"Capacitação faz a diferença" frase de Guetz, especialista em motivação e qualidade de serviços, que em sua entrevista em Zero Hora 10/12/95, p.4, tenta convencer-nos da necessidade de investir na capacitação de pessoas, justificando estar sua motivação em participar e ajudar em atingir metas. Há necessidade de profissionalização, afirma o mesmo especialista, na qual todos acreditam que seja este o caminho, embora, para lástima do conferencista, poucos o pratiquem.

Frente ao que está posto, qual o grande desafio das Escolas e das Universidades? Parece-nos ser o significativo interfaceamento entre educação e modernos recursos tecnológicos, de comunicação e de informática que nos oportunizarão não só reduzir as diferenças que nos separam dos sistemas educacionais de países desenvolvidos, mas nos propiciarão galgar novos patamares de qualidade na educação.

Falar em comunicação e informática implica refletir que as pessoas que as manipulam têm responsabilidade social. Garrafa, no Caderno Mais da Folha de São Paulo 02/03/97, p.3, em artigo intitulado Clonagem, Ciência e Ética, expõe suas preocupações e distorções causadas pelo fato de, apesar de os trabalhos científicos de clonagem de espécies vegetais há vários anos estarem sendo desenvolvidos pelos principais países do mundo, causarem surpresa as reações de assombro geradas pelo nascimento de Dolly, a ovelha duplicada no Instituto Roslin/Escócia. Surpreende, segundo o mesmo autor, por outro lado, que países europeus e os EUA que atuam com firmeza e agilidade em comitês nacionais de bioética tenham sido tomados de surpresa.

Justifica tal situação, com as quais concordo, duas posições radicalmente opostas que são tendências atuais de interpretar os avanços científicos: como descobertas "ameaçadoras", em que a ciência é vista como "obra do demônio" ou como "endeusamento" em que independente de custos e conseqüências "tudo o que puder ser feito deve ser feito". Tais antagonismos, segundo o mesmo personagem incorrem no risco de alimentarem, na esfera cultural, a intolerância, e, na esfera prática, o dogmatismo.

Outros autores tais como Mazzi (1986), classificam como tendência do ceticismo, o que se caracterizaria como uma sumária rejeição, refletida por uma visão estreita da problemática, que privilegia aspectos internos, ignorando ou minimizando seus determinantes sócio-econômicos e políticos. Negam, em outras palavras qualquer possibilidade de intervenção significativa, relegando toda a inovação como irrelevante e inconsistente, o que se contrapõe a outra visão denominada pelo autor de euforismo, em que os entusiastas defendem a idéia de mudanças radicais, alterações básicas no contexto estrutural da sociedade.

Tomando como referência Vasconcellos (1996) essas abordagens tomariam a denominação de voluntarismo ou determinismo. A primeira, significando que basta querer, que tudo é uma questão de boa vontade e que depende de cada um de nós e a segunda, que advoga por achar, que nada é possível fazer, que tudo já está pré-determinado. O problema é do sistema, é estrutural, enquanto este não mudar de nada adiante querer agir.

Parece-nos um tanto quanto ingênuas e simplistas qualquer uma das duas abordagens e que uma terceira tendência deverá ser contemplada, em que, evitando extremos, busque o equilíbrio, com novas formas de pensar, analisar e atuar, estimulando a reflexão, a crítica e a criação responsável. Resgatando a ética e o moral que possibilite que o novo seja analisado em suas particularidades, buscando cada vez mais o desenvolvimento da ciência e os avanços tecnológicos, observando fronteiras humanas, o que implica dizer, rejeitando e rechaçando, não encontrando respaldo e justificativa a todo e qualquer avanço tecnológico que não acrescente valor e benefícios humanos.

Trata-se, em outras palavras de estimular o desenvolvimento da ciência dentro de suas fronteiras humanas, desestimulando-o quando passa a avançar em direção de limites desumanos.

Há toda uma responsabilidade que ultrapassa o científico e o tecnológico que é a responsabilidade social, que está a exigir um viver orientado por princípios, entendido, conforme os ensinamentos de Covey (1994), como leis naturais, comprovadas e validadas por si próprias; que não se alteram nem mudam e indicam caminhos do "norte verdadeiro" a nossas vidas. Aplicam-se em todos os momentos e em todos os lugares e surgem sob a forma de valores, idéias, normas e ensinamentos que elevam, enobrecem, satisfazem ,fortalecem e inspiram pessoas. Para tanto, há necessidade de todo um clima de confiabilidade que possibilite se instaurar a confiança, fundamental para que as relações entre as pessoas aconteçam, permitindo a descentralização de poder na busca de metas compartilhadas.

Segundo Giddens, sociólogo britânico, diretor da London School Economics and Political Science, em entrevista dada a Burke, Pallares, professora da USP/São Paulo, na Folha de São Paulo de 02/03/97, p.3, o que mais o vem surpreendendo é o fato de, nos últimos tempos, verificar que o debate intelectual está se tornando muito mais globalizado, ao que acrescento, graças aos avanços tecnológicos da Internet que vem possibilitando estas navegações, quebrando os limites e fronteiras, aproximando e intermediando mundos.

Tem-se encontrado pessoas discutindo os mesmos problemas o que significa que intelectuais de várias origens podem se comunicar com menos dificuldades e com menos tradições intelectuais do que no passado.

Constata-se, cada vez mais, a irresistível possibilidade e oportunidade de influenciação e interação no diálogo intelectual, na tentativa de se descobrir a criação de parcerias exitosas, para enfrentamento de uma nova era em que se tem que aprender a conviver, voltado para uma racionalidade aberta, dialógica e descomprometida com o primado das certezas autoritárias, preocupado em globalizar sem exclusões. É o aprender a pensar o complexo, reformular a noção de amanhã, em que não haja mais lugar para uma ideologia desenvolvimentista, incapaz de priorizar o lugar do ser humano e de salvar a natureza da destruição acelerada.

O mundo hoje é de transição, em que mudanças espetaculares em velocidades descabidas vem tornando em passe de mágica o impossível em possível, cumprindo salientar que, atrás de cada uma dessas transformações, estão pessoas que não são neutras, nem impunes e sim, responsáveis pelo seu ser, seu pensar, sentir e fazer.

Os recursos tecnológicos aí estão não se constituindo em si nem bons nem maus, nem construtores nem destrutores, não sendo e não tendo um fim em si mesmos. Seu uso empreendedor e nutriente, em alinhamento com valores exigidos nos novos tempos que é ousar, experimentar, criar, contribuir, assumir riscos, explorar possibilidades, rechaçando falsidades, ceticismos, nepotismos, ações subterrâneas, falta de ética e espertezas , está nas mãos e intencionalidades das pessoas que as utilizam.

Urge que se pergunte com maior freqüência e reflexão crítica: Por quê? Para quê? A favor de quem? usá-los. O que estamos fazendo para ajudar a melhorar o que está a nossa volta? Como estamos investindo para desenvolver uma força humana de alta potencialidade, fator competitivo chave nos tempos atuais?

Tais questionamentos encontram ressonância nos dizeres de Medeiros E ColaA (1994) em que ciência, técnica e os nexos entre teoria e prática são determinados por racionalidades que orientam o uso do conhecimento que analisados criticamente possuem características próprias com possibilidades e contradições que se diferem dos demais.

Tenta-se aqui chamar atenção às racionalidades ou visões sociais de mundo inspiradas pelos diferentes paradigmas Positivista, Fenomenológico, Marxista e Crítico Emancipatório à luz dos quais nos permitem ter diferentes entendimentos de ciência e de tecnologias o que de certa forma justificará os questionamentos do porquê? e do Para quê? de suas aplicabilidades com suas respectivas conseqüências.

Dando uma rápida sintetizada do que foi dito, tomamos como exemplo o tema da Internet recentemente publicado no Caderno Cotidiano, Folha de São de Paulo de 16/ 03 / 97, nas páginas 1 e 2 que suscita, dependendo das visões de mundo de quem as está empregando, de quem as está utilizando ou recebendo simplesmente as informações, causar ou não espantos e surpresas, considerar ser ou não possível aceitar, poder ter ou não efeitos benéficos ou maléficos de construção ou destruição.

Vamos à manchete: "PSICÓLOGO CRIA DIVÃ VIRTUAL NA INTERNET." Como manchetes secundárias: " TERAPIA ON LINE: PACIENTES CONVERSAM COM TERAPEUTAS PELA REDE." "ASSOCIAÇÕES DIZEM QUE NADA SUBSTITUI O CARA-A-CARA."

Tal manchete causa polêmicas e as mais contraditórias discussões. Levanto aqui algumas, sem o intuito de respondê-las:

- Será possível com o mesmo êxito trocar divã pela rede?

- Será possível a rede substituir o contato cara-a-cara entre paciente e terapeuta, pela visão que poderão ter de ambos pelas câmeras do vídeo acopladas aos modernos computadores?

- Estarão sendo preservadas e observadas as características individuais, as idiossincrasias, o olhar diferente, o sorriso nervoso, a gargalhada solta para exteriorizar um sentimento...?

Seguem à manchete, diferentes entrevistas das quais foram retiradas algumas frases que poderão nos envolver em discussões que estão relacionadas ao tema Internet e Educação.

- Do ponto de vista legal, ciberterapêutas norte-americanos resolveram esse problema colocando uma advertência em suas páginas na Internet, na qual dizem que os pacientes devem ter consciência de que a terapia on line não substitui a terapia tradicional.

- A forma mais comum de terapia on line é por meio de e-mail, o correio eletrônico, em que o paciente manda uma mensagem pelo computador ao terapeuta, descrevendo seus problemas e recebe uma resposta horas depois. Tal colocação por outro profissional é assim complementada: " Serviço mais procurado é aconselhamento por e-mail, respondido por profissionais ou estagiários e esclarecido pelo psicólogo ao que ele próprio acrescenta: "...mas sempre acrescento alguma coisa e sou eu que assino a resposta."

- A terapia on line não é panacéia, mas acho que os psicólogos tem que ir aonde os pacientes vão. A Internet é um meio com amplas possibilidade. Cada mensagem do psicólogo eqüivale a uma sessão. Nos EUA, alguns terapeutas cobram até US$ 90 por e-mail.

Na mesma reportagem, brasileiros testam a psico-informática com anúncios deste tipo:

* atendimento psicológico para internautas 24 horas on line;

* aconselhamento por e-mail, psicoterapia on line e dinâmica de grupo na Internet;

* pagamento antecipado R$ 1,50 por minuto de terapia on line e R$ 10,00 por resposta de e-mail.

Embora se saiba que as consultas on line são quase sempre seletivas o que significa dizer que o cliente busca não propriamente o fluxo que ali veicula, mas o que verdadeiramente o interessa para tomada de decisão, é importante lembrar que pela persuasão, sedução e convencimento, as tecnologias aí estão para liberar um interagir de inteligência e intuição capazes de avivar percepções, mas não fabricam idéias. Até se provar em contrário, só os homens que as concebem, logo a crença e a confiança devem repousar na eficácia de lutas processuais por uma existência digna e igualitária que aspire por usos tecnológicos comprometidos com a maior utopia "a libertação da espécie humana da lógica perversa do capital".

Outros pronunciamentos, na mesma reportagem, merecem ser refletidos:

- É impossível, via Internet haver transparência e livre associação, dois pontos básicos da psicanálise.

- Pragmáticos, os ciberterapeutas trazem em locais bem visíveis de suas páginas na Internet, a lista de preços de seus serviços, como se estivessem vendendo sanduíches de sabores variados.

- Oferecem, com facilidade cada vez mais empregada por quem faz negócios na rede de computadores, a possibilidade de o paciente pagar o tratamento sem sair de casa, usando o cartão de crédito.

- Primeira consulta grátis, mas logo o futuro paciente descobrirá que só será gratuita se a Dr@, como gosta de ser chamada gostar do caso narrado pelo paciente, quando então, mandará uma resposta grátis e publicação em seu boletim on line disponível na Internet, eliminando o nome do paciente.

- Outros ainda assim propõem:

- Se você sentir que a consulta valeu, então vou pedir que me envie um cheque para o endereço que incluirei, caso contrário, não precisa pagar.

- Aos olhos de psicanalistas tradicionais a ciberterapia pode parecer picaretagem pura, mas os terapeutas on line, nos EUA, ao menos se esforçam para parecerem sérios.

HON (Helth on the Net Foudation) entidade que agrega profissionais de áreas da Saúde que oferecem serviços na Internet tem um código de conduta em que um dos princípios fundamentais é : "as informações oferecidas por este site servem para dar apoio, não substituir a relação que existe entre paciente e seu médico."

Society for Computers in Psychology, entidade que tenta discutir o que passa nos divãs virtuais, organiza desde 1971 congressos anuais sobre como utilizar o computador em benefício da psicologia. Outubro de 1996, em Chicago, a ciberterapia foi tema de inúmeras palestras, tal a relevância de ter seu tema discutido e analisado.

Encerra essa parte de excertos a noticia: " Netvício" novo serviço entre tantos que oferecem ciberterapeutas que dispõem a tratar pacientes que sofrem de distúrbios recentemente identificados, mas ainda não catalogado cientificamente em que se caracterize pela pessoa cuja vida está sendo afetada negativamente em conseqüência de paixão pelo computador e pelos serviços que oferece em particular: o bate-papo e a troca de e-mails. Acrescentam, informando alguns dos sintomas desse distúrbio: declínio na vida social e familiar, contas telefônicas astronômicas e mania de checar o e-mail a cada minuto.

Inúmeros "sites" oferecem hoje, testes, conselhos e "tratamentos" contra esse mal que, para muitos psicólogos, é apenas mais uma invenção caça-níqueis.

Já existe, segundo a mesma reportagem, um grupo de "internautas anônimos", formado por pessoas que acreditam sofrer desse distúrbio e tentam se ajudar mutuamente.

Todo o progresso e crescimento se faz numa seqüência natural de desenvolvimento e isto está registrado no gênesis e é passível de aceitação nas áreas físicas e intelectuais justificas por serem vistas e com provas constantemente fornecidas, entretanto, segundo Covey (1995), em outras áreas do desenvolvimento e da interação social, como os casos apresentados com freqüência, há tentativa do ser humano em encurtar o processo natural substituindo prioridade por rapidez, inovação por imitação, caráter por aparência, conteúdo por estilo, competência por fingimento, com vistas a economizar tempo e esforço e colher recompensas desejadas.

Vã esperança diz o autor.." não há pontes, atalhos ou mistificação, nenhum fingimento compensará a falta de capacidade e julgamento" (Covey, 1994, p.60).

Concluíndo a reflexão que me propus, acrescento que se por um lado a informática é um riquíssimo instrumental de trabalho, com imensas possibilidades de aplicação na aquisição, intercâmbio e questionamento de idéias, lidando de forma organizada, versátil e interativa com novos conhecimentos, conectanto pessoas e instituições geograficamente e incurtando os acessos a múltiplos conhecimentos o que visualiza uma crescente tomada de consciência de novas maneiras de pensar e até de viver, por outro lado, pode-se configurar em um instrumental perverso, liberando um interagir de inteligência e intuição que inspiram um devir de navegação ciberespacial, que pela escassez de projeto pedagógico para sua utilização, que possibilite às pessoas usarem a tecnologia para pesquisar, trabalhar em equipe, raciocinar e dialogar, num mundo interativo, age sobre o ser humano dominando-o para massificá-lo, impedindo-o e dispensando-o de pensar, de refletir, de decidir por si mesmo e impedí-lo de ser ele mesmo para que possa ser manipulado.

Temos que nos conscientizarmos que o ser humano, com todas as características de pessoa e de participante de uma sociedade é quem deverá determinar o que será útil e profícuo para ele em termos de tecnologia o que significa dizer que é por meio desses recursos tecnológicos, que deverá tornar-se mais homem, ser mais livre, mais responsável, mais criativo e mais finalístico. O agir, que é o domínio da tecnologia, só poderá ser determinado pelo ser e pelo dever ser do ser humano o que implica um questionar os fins e os valores que, em última análise determinam esse agir. Posta esta questão, conclui-se que os valores que norteiam e direcionam o agir do homem é que determinarão o uso da tecnologia que poderá se tornar produtiva e construtiva na medida em que ajudar o homem a ser mais homem, não apenas a produzir mais bens.

A tecnologia deve estar colocada a serviço do homem, como meio de multiplicar os resultados de sua ação.

Cabe-nos, como educadores, perguntar-nos, diante desses temas abordados: Como se pode contribuir para equacionar a interatividade que irrompe como objeto de desejo nas relações entre mídias e receptores na obsessão pelo domínio universal nem sempre construtivo e o uso correto e produtivo, oportunizado pelo cruzamento de interações eletrônicas, hiper-redes, Internet que acessa milhões de usuários em uma produção de telinformações com multiplicidades infinitas de saberes no sentido de libertar o homem de suas limitações naturais, ampliando seu campo de ação, libertando-se, superando-se e transcendendo-se?

Em verdade, o grande desafio posto diante da cidadania não é o da técnica, mas o da responsabilidade dos conteúdos veiculados. O consumo de informações deve se constituir em atualização, crescimento e aprendizagem, não em destruição.

É o direito à liberdade de produzir e de acessar o que se quer, associado ao dever da responsabilidade e compromisso social enquanto ser humano e cidadão.

Frente todas as reflexões passíveis de serem feitas, diante dos relatos apresentados e considerando a constante indagação: Para que serve a Internet e qual deve ser o seu lugar no processo de Educação?, fica a idéia de que, quanto mais construirmos nossas vidas em torno de princípios, tais como justiça, lealdade, transparência, confiabilidade entre tantos outros e, quanto mais passarmos a viver nossos relacionamentos e intercâmbios de acordo com eles, mais a dignidade mútua cresce e se aprofunda, criando um clima de confiança, permitindo que relacionamentos sólidos se estabeleçam, tendo como conseqüência ganhos mútuos.

Tenha em mente que não se pode construir uma vida melhor do que o nobre propósito que nela existe (Covey, 94, p.303).

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

COVEY, S. (1994): Liderança Baseada em Princípios, Rio de Janeiro, Campus.

FOLHA DE SÃO PAULO (1997): Caderno Cotidiano, São Paulo, 16/03 pp.1-2.

FOLHA DE SÃO PAULO (1997): Caderno Mais, São Paulo, 02/03, p. 3.

MAZZI, A. (1986): "Tecnologia Educacional: Pressupostos de uma Abordagem Crítica", en Revista Tecnologia Educacional, ABT, ano XV, nº 71/72, jul/out.

MEDEIROS, M. Y COLLA, A. M. (1994): "Tecnologia de Educação: Ciência, técnica e os nexos entre teoria e prática determinados por racionalidades que orientam o uso do conhecimento", en Tecnologia Educacional, 22 (ll6/ll7), jan.fev./ mar. abr.

VASCONCELLOS, C. (1995): PLANEJAMENTO. Plano de Ensino- Aprendizagem e Projeto Educativo - elementos metodológicos para elaboração e realização, São Paulo, Libertad.

ZERO HORA. Porto Alegre.10/12/1995.